quarta-feira, 6 de abril de 2011

re-inventando à vida

Hoje acordei e me cobrei que revirasse algumas gavetas.
Está certo que elas não estavam arrumadas como eu gostaria ou talvez até eu mesma estava preferindo que não estivessem tão ordenadas assim.
Apenas abri e observei.
Vi coisas que embora novas, nunca foram usadas. Separei.
Vi coisas que me traziam lembranças mas essas já não se encaixam na nova vida que levo.
Li algumas coisas que também não me descreviam mais, passou.
Assim, pensei e concluí
Dei o que talvez tenha uso para outra pessoa, rasguei aquilo que não merecia mais ser lido por ninguém, joguei fora coisas que não me servem mais.
Senti a leveza do local e observei...precisava fazer exatamente isso para que novas coisas pudessem ocupar esse espaço.
Percebi que, o que antes não tinha, agora estava confortavelmente sobrando. Espaço.
O espaço para o novo, para o vir, o talvez ser, o respirar...estamos mudando.
Aquilo que guardei por longo tempo, hoje já não me faz mais sentido. Libertei-me de descrições supostamente sentimentais e que, na verdade, somente tentavam me resguardar um lugar que nunca foi meu.
Passou e hoje talvez o ir embora não pareça tão ruim.
Tudo durou o tempo necessário para o meu amadurecimento. Tudo que passei foi para tornar a pessoa que está escrevendo essas linhas. Para alguns serei uma boa amiga, filha, irmã para outros isso não será descritivo. Mas o que me importa foram os momentos que foram vividos. Sem nostalgia nas lembranças apenas guardarei aquilo que foi importante.
Viveremos!!!
Apenas isso é que vale a pena...e se foi, é porque realmente o ciclo de vida terminou. E outras vidas nascerão.
Então que venha o NOVO!!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sobre o ato de escrever - Graciliano Ramos

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam anil e sabão, torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de ter feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa.
A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso. A palavra foi feita para dizer".


Graciliano Ramos em 1948 em entrevista a um jornal da época.


Conheci a pouco tempo essa citação de Graciliano. E hoje me me veio a cabeça de maneira tão atual!!

Utilizarei para manifestar determinada argumentação que estou construindo depois de uma notícia que recebi. Me preocupa essa ânsia por escrever, penso que, escrever qualquer coisa não é uma reflexão. Analiso e reflito muito. Quieta. Sofro por isso enquanto não assimilo determinado conhecimento. Questiono a mim mesma, inquieto, penso, reflito mais um pouco.
Nessa longa viagem de amadurecimento do meu conhecimento prefiro me recolher. Não me exponho sem ter conhecimento sobre o assunto. Podem considerar como dificuldade de se expressar mas como pude demostrar, não é necessariamente isso que ocorre. Apenas prefiro quietar-me até o momento certo. Falar sem contudo, não acrescentar nada relevante para ninguém não é muito a minha dinâmica de grupo. Cada pessoa deve analisar seus limites e esse é um dos meus. Pelo menos para mim, não é relevante. As palavras são fortes, a gente pode ir embora mas elas sendo boas ou ruins, ficarão. Por isso, tenho tanta cautelas com elas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

LOPE - FILME

Lope
‎1h 46min‎‎ - 14 anos‎‎ - Festival‎‎ - Legendado‎
Madri século XVI. Ao deixar o exército o jovem Lope de Vega descobre o teatro e divide-se entre duas grandes paixões: a voluntariosa Elena e a doce Isabel. Apaixonado corajoso e arrebatado Lope viveu uma vida plena de aventuras: correu o risco de pagar com a vida por amor e tornou-se em um dos maiores nomes da poesia e do teatro de todos os tempos.

Assisti à pré-estréia desse filme. Perfeito!
Gostei dos ângulos de construção das cenas parece que cada imagem lembra uma fotografia, muito interessante!!
O ator Alberto Ammann (Lope) estava presente, diga-se de passagem, lindooooooooo!! rsrs

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fórum estadual em defesa da escola pública

Prezad@

Estou divulgando informações sobre o movimento que está se fortalecendo contra essa política de ensino público representada no estado do Rio de Janeiro pelo governador Sergio Cabral .

Para quem não soube no inicio de janeiro foi divulgado um plano de metas da educação estadual que contempla, somente, o maior sufocamento dos profissionais de educação, principalmente dos professores, sem contudo, investimento real para a melhoria da educação pública.

Posto isso foi divulgado um artigo assinado por Gaudencio Frigotto e outros, vale a leitura! intitulado Plano de metas da educação do Rio de Janeiro: do economicismo ao cinismo. http://tinyurl.com/4owumc4

Ao final do texto os autores fazem uma convocação para uma assembleia no dia 23/02 na UERJ. Hoje saiu o cartaz e algumas das considerações sobre o que realmente esse movimento entende sobre educação pública de qualidade para todos.

Enfim, como nossas decisões e opiniões não são feitas de forma aleatória estou divulgando o meu ideal de educação. Estou me afinando com esse movimento não por acaso e gostaria que vocês conhecessem e participassem. Entendendo que esse não está restrito a educação básica. 

Segue o cartaz! Lançamento dos princípios do Fórum estadual em defesa da escola pública http://tinyurl.com/5umsbyn

Abraços,

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sol-idão

Pelas horas que se passaram, ao longe, vejo o entardecer
Hoje no horizonte do mar, vi o Sol se esconder
E porque você se esconde?
Lá no alto, quase que no mesmo instante, vejo a Lua aparecer
Iluminada
Parece jogo de esconde-esconde. E nesse, os dois nunca se encontram
E por quê?
Justamente porque se o encontro acontecer, Sol e Lua, perderiam o encanto. Será?
Um jogo de solidão e silêncio que machuca os que observam esse desencontro
Luminosidade trazida pelos dois mas nunca ao mesmo tempo
Inspiram bons pensamentos nos que os observam
Amanhece e quando percebem estão tentando não lembrar que o outro existe.
No passar do tempo e de tanto fugirem desse contato o destino vem presenteá-los com um encontro
Apaixonante e lindo
Tudo fica escuro, como que quisessem que ninguém percebesse
Esse de tão magnífico, faz com que todos todos os olhares se voltem para eles
A venerar, Sol e Lua, sendo possuídos um pelo outro
Momento que eles tem a certeza, foram feitos um para o outro
O encaixe é feito de forma tão intensa que não importa se durou segundos ou horas serão eternizados por todos, como o mais belo fenômeno.
E porque isso?
Para nos lembrarmos que a nossa vida também é assim. Alguns poucos momentos serão eternizados em nossa memória. A intensidade fará parte das nossas vidas e por mais que estejamos dispostos a esquecer, nossa memória se dará o direito de preservar cada momento vivido e nos obrigará a relembrar, sempre, desses momentos importantes.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Da Solidão - Cecília Meireles

Perfeito esse texto!! Meireles como sempre teve uma excelente percepção sobre a realidade. Cada vez mais acredito que os textos aparecem em momentos que precisamos refletir sobre o que é mostrado. Esse texto ainda não conhecia mas me trouxe algumas reflexões sobre o que tenho, ultimamente,  pensado.

Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste aos seus olhos nenhuma presença humana, para que delas se apodere imensa angústia: como se o peso do céu desabasse sobre sua cabeça, como se dos horizontes se levantasse o anúncio do fim do mundo.

No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?

Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como aquele Sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solidão: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos.

Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à procura de ângulos, jogos de luz, eloquência de formas, para revelarem aquilo que lhes parece não só o mais estático dos seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico de sugestões, o mais capaz de transmitir aquilo que excede os limites físicos desses objetos, constituindo, de certo modo, seu espírito e sua alma.

Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que arrebata logo o olhar, o equilíbrio de linhas, a graça das proporções: muitas vezes seu aspecto - como o das criaturas humanas - é inábil e desajeitado. Mas não é isso que procuramos, apenas: é o seu sentido íntimo que tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga de experiências que representam, e a repercussão, nelas sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.

Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas, já que, por egoístas que somos, não sabemos amar senão aquilo em que nos encontramos. Amemos o antigo encantamento dos nossos olhos infantis, quando começavam a descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus caminhos de bosques e ondas e horizontes; o desenho dos azulejos; o esmalte das louças; os tranquilos, metódicos telhados...Amemos o rumor da água que corre, os sons das máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos traduzir.

Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos. Mundo delicado, que não se impõe com violência: que aceita a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que espera que o descubramos, sem anunciar nem pretender prevalecer; que pode ficar para sempre ignorado, sem que por isso deixe de existir; que não faz da sua presença um anúncio exigente " Estou aqui! estou aqui! ". Mas, concentrado em sua essência, só se revela quando os nossos sentidos estão aptos para descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múltipla companhia, generosa e invisível.

Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção, em redor de vós, a essa prestigiosa presença, a essa copiosa linguagem que de tudo transborda, e que conversará convosco interminavelmente.

Cecília Meireles

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

MATURIDADE – Emilia Casas

Foi o tempo, meu amigo,
Que me fez assim tão bela...
Deu-me um olhar mais doce
Que o amargo não revela
Lambuzou minhas palavras
Com mel da sabedoria
Nem de mim eu sou escrava
E “ter” não tem mais valia.

Deu-me um sorriso fácil
Que eu distribuo à toa
Se o velho corpo está frágil
A alma criança voa!!!

Escreveu em minha pele
As histórias que eu vivi
Entre glórias e derrotas.
Eis-me aqui – sobrevivi

E livre de toda a ciência
Que o mundo explica e ativa
Deu-me o tempo, por clemência,
O entendimento da vida


A porta do quarto  indica de quem será a poesia que estará impressa na parede do quarto. Idéia maravilhosa que vi em uma pousada em Volta Redonda