quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quanto tempo...

Acho que estou gostando de alguém/ E é de ti que não me esquecerei♫ Legião urbana

A primavera em Campos dos Goytacazes me apresentando a beleza e as cores de estar VIVA! Fui buscar ao longe o que estava tão perto...
Poderemos mensurar quanto tempo precisaremos para nos mantermos vivos e importantes dentro de cada um de nós?
Quanto tempo precisará ser despendido para podermos compor algumas notas musicais que ainda não foram pensadas?
Pois é como organizar os pensamentos se com ele foge as ideias e a memória insistem em levar para momentos sobre você.
Irão afirmar que isso tudo é um romantismo barato e que isso não terá futuro.
E o que é o futuro?
Concluí que vivemos muito tempo pensando e estruturando nossas vidas em um futuro não tão distante, porém também não tão próximo. E vamos, nessa trajetória, nos perdendo de nós mesmos num vir a ser que nunca alcançaremos e por isso sofremos cada vez mais.
E quem se importar?
Pois é, não tenho resposta! Talvez apenas eu me importe com esse sentimento ou essa dor .
E o que isso tem de tão magnífico?
Que novamente me permiti amar e por que não, talvez, também ser amada.
E se sofrer?
Isso faz parte de qualquer relação humana, muito humana!
Com muita simplicidade e com muita certeza que os ventos bons estão chegando...
Abraços,
Juliana Nascimento.

domingo, 6 de novembro de 2011

O fim de uma trajetória!


“Sem humildade e CORAGEM não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.” Amor líquido Bauman lindo né? Perfeito para essa semana então desejo excelente semana p/ tod@s com de muito amor!:)
                Começo essa semana com muita insônia. Dias e mais dias que não durmo direito. Penso que seja por estar perto do fim de uma trajetória profissional. Nessa semana meus queridos alunos terão sua ultima avaliação organizada pela nossa equipe. Talvez por entender a dimensão dessa avaliação para eles que me entrego tanto e por vezes fico assim, pensativa demais.
É estranho e um tanto egoísta de minha parte mas estou sentido aquele sentimento de ninho vazio. Mas também sei que eles precisam seguir a vida deles e torço para que continuem na vida acadêmica. 
Por desgaste físico não poderei acompanhar de perto meus alunos mais que queridos. Não se trata de favorecimento ou preferência mas foi com os alunos e professores do Lion que pude conhecer melhor  Campos dos Goytacazes. Acompanhá-los em todas as avaliações, dividir com eles cada reflexo de nervosismo, de tensão, de conflito de saberes e crescimento me proporcionou um crescimento muito grande  profissional e também como pessoa humana. Sem dúvida nenhuma olhar cada um e perceber que conseguiram, apesar das diversidades sócio educacionais, chegar até o final com certeza é gratificante também para mim . Ficava feliz a cada novo reencontro e novas conversas e reflexões...
Paulo Freire com certeza tem toda razão quando diz que o educando também ensina. Eu aprendi muito com esses meninos e meninas. Eu aprendi muito com os professores que não desistiram desses alunos em nenhum momento. São histórias de vidas, são histórias de seres humanos que fazem o programa.
PROJOVEM URBANO deve ser entendido na amplitude que atinge.
A pergunta para que educamos, com certeza, foi o questionamento sempre latente em minha memória. E hoje ainda continua como pergunta...talvez não queira ter uma resposta bem elaborada ou polida sobre o assunto. Posto que a gente se educa na relação com o outro.
Me eduquei e muito!! 
Me eduquei no tempo que pude ficar próximo dessas pessoas e pude absorver toda as gotas de sabedoria e de dúvidas que dividiam comigo.
        Professores, coordenadores municipais, equipe de apoio das coordenações e equipe de apoio da escola que abraçaram o programa. UFA!! muita gente mesmo, muita gente que guardada as devidas motivações pessoais estavam juntas para movimentar essa grande máquina que é o PROJOVEM URBANO. É exatamente isso que quero falar o programa é feito por seres humanos e para seres humanos. A burocracia, por muitas vezes, tenta nos cegar para que não vejamos a amplitude de estarmos trabalhando para seres humanos já que isso pressupõe o não endurecimento sobre as condições humanas de permanência na escola.
Chegamos ao fim de mais uma etapa para eles e também para mim...o desgaste está na metade. Ainda temos muito por fazer, antes e após essa última e decisiva avaliação. Mas com muito prazer digo que são essas pessoas que me motivam a acordar e saber o meu lugar no mundo.
Conheci muitas pessoas, sei de muitas histórias impactantes, conheci as diferenças territoriais existente até mesmo dentro de um mesmo município, andei muito, engoli muita poeira, passei por vários sustos em lugares totalmente isolados, dormi muito em ônibus estranhos mas também em muito ônibus confortável e também dormi em hoteis com uma boa estrutura. Para não dizer que não falei de flores rsrs mas o importante é que cresci e muito!!!
Considero um laboratório permanente de reflexão sobre a minha vida. Mas também sei que eu posso sair a qualquer momento daquele espaço de tanta mazela que vi e eles (alunos e professores) continuarão lá lutando para modificar todos os dias a sua realidade dita como natural. São essas pessoas que realmente agradeço a cada minuto que me dispensaram, a cada minuto de desabafo ou de crítica. São essas pessoas que me dizem quem eu sou...e parece que temos que continuar a nossa estrada. E que ela seja muito mais bela e florida...
Com total dedicação,
Aos meus queridos alun@s e professores do PROJOVEM URBANO!!!
Juliana Nascimento.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Vou escrever para você...


Penso em você e vou assumir que estou sentindo a sua falta.
Ausência das situações que permitiam que eu pudesse olhar para você...
Carismático, porém ogro nas suas atitudes para nos afinarmos de maneira amigável.
Em outros momentos discursos polidos demais e talvez isso tudo não tenha permitido que nos aproximássemos realmente um do outro.
Como reverter isso agora que estamos tão distantes?
Permita-me dizer que sinto sua falta...
É, parece estranho mas sinto saudades e sua ausência tem me deixado estranha...
Saudades das implicâncias, das birras, dos mais ou menos sorrisos, dos entre olhares...
Como diagnosticar que estava amando dessa maneira?
Talvez sua aproximação tenha deixado rastros muito sufocantes na minha livre rotina.
Não tivemos tempo para entender o que realmente aconteceu...
Palavras sempre elas...
Palavras mal colocadas sempre ofendem as pessoas que mais gostamos e assim foi com a gente.
Parecia que tínhamos algo que nos atraia e repelia ao mesmo tempo e a todo tempo...
Brigar ou ironizar apareciam como alternativas para nos aproximarmos mas no fim não foi isso que aconteceu.
Por isso foi necessário a minha despedida!
 Mas me pego por varias vezes pensando em você!
E principalmente no seu olhar
O seu olhar que fala por você!!
Trocas de olhares são perigosas quando encontramos outra pessoa que corresponde...
E quer saber? é esse olhar que me diz quem você é!
Eu guardo o melhor olhar que me deu...um olhar terno...
 Permita-me conversar com você...
Permita-me  olhar para você...
Permita-me compreender o que não pude observar talvez por causa da posição que ocupávamos no jogo.
Avassaladora e pensamos... não deu mesmo?
Pouco tempo para sabermos quem realmente somos e como somos...
Que eu consiga com as palavras escritas expressar aquilo que a nossa vida diária nos tirou.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Querer-te não quer dizer ter-te aqui

As pessoas aparecem em nossas vidas como furação e, para muitos, é necessário ser docilmente aceitas. Mas não sou assim e não quero te aceitar com esses pormenores. Não quero tê-lo dessa forma meio sem importância que tenta me mostrar. Procurei bem no fundo dos teus olhos a verdade da sua alma. Não encontrei é certo mas não que isso me deixe menos atraída por você.
JN

Novos dias - Poeta Sergio Vaz

“Este ano vai ser pior… Pior para quem estiver no nosso caminho.” "Então que venham os dias. Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não para. Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!). É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos. Acenda fogueiras. Não aceite nada de graça, nada. Até o beijo só é bom quando conquistado. Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões. Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino. Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade. As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca. Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo. Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade. Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você. Se não ama a tua causa, não alimente o ódio. Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado! Os Erros são teus, assuma-os. Os Acertos Também, divida-os. Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre. Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões. Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira? Teu travesseiro vai te dizer. Prepare-se! Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos. Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham. Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça. Muito amor, muito amor, mas raiva é fundamental. Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade. As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva. Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás. Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira. O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você. Feliz todo dia!" Poetasergio Vaz, Novos Dias!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A MOÇA TECELÃ - MARINA COLASANTI

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando ente os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar. —
Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer. Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. —
Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata. Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira. Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre. —
É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu:— Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.